Crescimento comparativo e tolerância ao calor de cabritos de diferentes grupos genéticos no estado do Rio de Janeiro

  • L. F. D. Medeiros Departamento de Reprodução e Avaliação Animal, Instituto de Zootecnia (IZ), UFRRJ, Seropédica, RJ, Brasil.
  • D. H. Vieira Departamento de Farmacologia e Toxicologia (DFT) do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde/FIOCRUZ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  • C. A. Oliveira Departamento de Reprodução e Avaliação Animal, Instituto de Zootecnia (IZ), UFRRJ, Seropédica, RJ, Brasil.
  • V. B. Hermelino Discente do curso de Graduação em Zootecnia da UFRRJ, Seropédica, RJ, Brasil
  • F. C. Santos Discente do curso de Graduação em Zootecnia da UFRRJ, Seropédica, RJ, Brasil
  • R. A. R. Léo Discente do curso de Graduação em Zootecnia da UFRRJ, Seropédica, RJ, Brasil
  • C. T. Morães Programa de Pós Graduação em Zootecnia, UFRRJ, Seropédica, RJ 23890-000, Brasil
  • L. R. Justino Programa de Pós Graduação em Zootecnia, UFRRJ, Seropédica, RJ 23890-000, Brasil
Palavras-chave: adaptabilidade, características fisiológicas, desempenho

Resumo

Foi avaliado o crescimento comparativo de 125 cabritos de diferentes grupos genéticos (GG), sendo 34 ½ Saanen (SA) + ½ Parda Alpina (PA), 33 ½ SA + ½ Anglonubiana (AN), 30 ¾ SA + ¼ PA e 28 three cross ½ Bôer (BO) + ¼ AN ¼ + ¼ SA, confinados. A análise estatística revelou diferença (P<0,01) entre os GG, entre peso ao nascer (PN), a desmama (PD) e ao abate (PA). O PN, PD e PA foram influenciados (P<0,01) pelo sexo da cria e tipo de nascimento. Houve diferença (P<0,01) entre o ganho de peso diário no período pré e pós-desmama. Os ganhos de pesos nesses períodos foram influenciados (P<0,01) pelo GG, sexo da cria e tipo de nascimento (P<0,01). Os ganhos de peso médio diário no período pré-desmama foram maiores (P<0,01) em relação ao pós-desmama. Houve diferença na temperatura retal (TR), frequência respiratória (FR) e cardíaca (FC) entre os GG, pela manhã (P<0,05) e a tarde (P<0,01). Os cabritos (½ SA + ½ AN) e o three cross apresentaram a TR, FR e FC mais baixas do que os (½ SA + ½ PA) e (¾ SA + ¼ PA). Pela aplicação do índice de tolerância ao calor (ITC) proposto por Baccari Júnior, os cabritos ½ SA + ½ AN e o three cross obtiveram o ITC mais alto do que o ½ SA + ½ PA e o ¾ SA + ½ PA, revelando-se mais tolerantes às condições climáticas da Baixada Fluminense, Estado do Rio de Janeiro.

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Publicado
27-12-2018
Como Citar
Medeiros, L. F., Vieira, D., Oliveira, C., Hermelino, V., Santos, F., Léo, R., Morães, C., & Justino, L. (2018). Crescimento comparativo e tolerância ao calor de cabritos de diferentes grupos genéticos no estado do Rio de Janeiro. Boletim De Indústria Animal, 75. https://doi.org/10.17523/bia.2018.v75.e1430
Seção
ETOLOGIA E AMBIÊNCIA