#NovembroAzulOficial            #NovembroAzul


NOTÍCIAS


23/02/2016

Novo livro sobre controle de carrapato é publicado pelo Instituto de Zootecnia

O Instituto de Zootecnia, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, acaba de lançar o livro “Resistência e controle do carrapato-do-boi”.

O carrapato é um parasita que pode causar a morte de um bovino adulto. Os prejuízos causados por este parasita ao país são estimados em mais de 3 bilhões de dólares anuais.

Os carrapaticidas ainda são o principal meio de controle desta praga, porém o fenômeno da resistência está espalhado por todo o país e novas formas alternativas de controle são cada vez mais necessárias.

No primeiro capítulo, pesquisadores da Embrapa Rondonia, liderados pela médica veterinária Luciana Gatto Brito, discorrem sobre o problema da resistência do carrapato bovino aos carrapaticidas. Com o estudo da genética do carrapato, está se verificando o aparecimento e aumento da frequencia de carrapatos homozigotos resistentes (aqueles que possuem os dois genes para resistência, RR). Quando esta situação acontece, uma reversão na situação da resistência fica muito mais difícil e demorada, de modo que as alternativas de controle, como, por exemplo, o controle seletivo, a homeopatia, e a fitoterapia, são muito importantes no sentido de poder diminuir, ou até mesmo, acabar com os banhos carrapaticidas necessários para controlar os carrapatos.

O modo de aplicação do carrapaticida na forma de aspersão ou pulverização é importantíssima para a eficácia do carrapaticida. A maioria dos carrapaticidas existentes hoje no mercado são carrapaticidas de contato, ou seja para terem o efeito desejado precisam atingir os carrapatos que se acham junto à pele. Portanto, a pressão com que a calda carrapaticida sai do aplicador é muito importante para que o produto ultrapasse a barreira do pelo e atinja a pele do animal. Também é muito importante como esse banho será executado, é o que nos ensina o pesquisador da EPAMIG, Daniel Rodrigues, no segundo capítulo do livro. O pesquisador comparou a eficácia de banhos aplicados com a bomba costal, o equipamento mais utilizado pelos produtores de leite brasileiros, com câmara atomizadora e com um pulverizador estacionário com motor (elétrico). O que funcionou melhor, com maior eficácia do banho, foi o pulverizador com motor.

Em sequência vem descrito o trabalho com controle seletivo em duas fazendas de gado de corte, situadas em cidades distintas no Rio Grande do Sul. O doutorando Lew Kan Sprenger expôs o trabalho durante o IV Workshop Controle do Carrapato no Instituto de Zootecnia em Nova Odessa, SP. Ele foi orientado do professor Marcelo Beltrão Molento, o introdutor do método Famacha® de controle seletivo da verminose em ovinos. A tentativa de efetuar um controle seletivo do carrapato, aplicando o carrapaticida somente em quem estava mais infestado, foi bem sucedida em ambas as propriedades, com grande economia de carrapaticida, e sem prejuízos aparentes, mas mais estudos devem ser realizados.

As alternativas existentes de controle do carrapato para gado leiteiro foram enumeradas pelas pesquisadoras do Instituto de Zootecnia Cecília José Veríssimo e Luciana Katiki, que fizeram uma revisão sobre homeopatia, fitoterapia, e outras alternativas, como a tosquia do pelame, uso de raças mais resistentes ao carrapato como o mestiço Gir x Holandês (Girolando), e até mesmo o Jersey, raça de origem europeia, porém que apresenta elevado grau de resistência ao carrapato. Com uso de raça resistente ao carrapato (Gir) e boa alimentação e manejo é possível não utilizar carrapaticida, segundo as autoras.

A próxima apresentação foi da pesquisadora Marcia Cristina Mendes, pesquisadora do Instituto Biológico de São Paulo. A pesquisadora relata um trabalho que realizou junto a produtores de leite de uma região deste Estado, com a implantação do controle estratégico do carrapato. O trabalho teve a participação ativa dos técnicos da CATI, e foi realizado em propriedades que participavam do Projeto Cati Leite. A autora relata que o manejo preconizado pelo CATI Leite (manejo intensivo de pasto de alta qualidade nutricional, adubado e rotacionado), deve trazer benefícios para o controle do carrapato porque foi encontrado baixo nível de infestação de carrapatos nestas fazendas.

O último capítulo tratou justamente do Projeto CATI Leite, comentado pelo médico veterinário Carlos Pagani, responsável por sua implantação no Estado de São Paulo. O autor mostra a importância da transferência de tecnologia e a gestão da propriedade para a melhoria dos índices zootécnicos e aumento da produtividade da propriedade, fixando o homem no campo.

Este livro é resultado do IV Workshop controle de Carrapato, ocorrido no Instituto de Zootecnia, em agosto de 2014, e pode ser acessado gratuitamente clicando aqui!

Espera-se com este livro aumentar e reciclar o conhecimento de técnicos e produtores sobre o carrapato-do-boi e seu controle, colaborando para que este parasita possa ser combatido de modo eficaz e sustentável.



 

Veja todas as notícias



Envie a um amigo

Adicione ao Favoritos

Imprimir