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22/11/2017

Workshop em Bioeconomia Pecuária de Baixo Carbono estabelece o “roadmap” para desenvolvimento das pesquisas da cadeia produtiva

“As três grandes metas serão criar novos produtos com alto valor agregado, diminuir as emissões de gases de efeito estufa e aumentar a mão de obra”, enfatizou Renata.

Pecuária, uma das cadeias produtivas de grande importância para os agronegócios e para toda a sociedade foi foco do 9º Workshop Bioeconomia “Pecuária de Baixo Carbono”, organizado pelo Agropolo Campinas-Brasil e coordenado pelos Institutos de Pesquisas da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de SP — Instituto de Zootecnia (IZ), Instituto Biológico (IB) e Instituto Agronômico (IAC) —, além da Unicamp, com apoio da Fapesp. Estiveram presentes 170 participantes durante os dias 08 e 09 de novembro em Campinas (SP), discutindo a eficiência da produção pecuária aliada à sustentabilidade, resultando em maiores sequestros de carbono.

Especialistas da iniciativa privada, de instituições de pesquisa e ensino, do governo e da sociedade civil puderam discutir e identificar as oportunidades e os desafios no desenvolvimento da Pecuária de Futuro do Brasil, uma pecuária sustentável e eficiente, no âmbito das áreas de Sistemas Integrados de Produção Animal, Nutrição e Alimentação Animal, Genética, Sanidade Animal, e Transferência de Tecnologia.

Na abertura do evento, que contou com a participação de autoridades municipais, diretores de Institutos, pesquisadores e empresários, Sergio Carbonell, diretor do IAC, presidente do Conselho Administrativo do Agropolo Campinas-Brasil, deu as boas-vindas aos participantes, enfatizando o objetivo comum das instituições envolvidas no projeto de políticas públicas do Agropolo, como criar e fomentar temas relevantes para a bioeconomia brasileira.

Segundo Carbonell, o projeto surgiu da necessidade de aproximação das instituições para soluções em ciência e tecnologia com enfoques atuais em cinco áreas do conhecimento – saúde, agroenergia, alimentos, química verde, desenvolvimento sustentável e biocombustível.

“Os workshops têm por diferencial buscar soluções, responder as questões e formular projetos colaborativos entre participantes do workshop e de outros que ainda serão realizados”, afirmou Carbonell.

Com o 9º workshop, Carbonell disse que já se somou mais de mil participantes – 40% da iniciativa privada –, e já com a elaboração de cinco projetos institucionais para temas estratégicos relacionados à bioeconomia. “Espero que aqui, também, aconteça à identificação de lideranças e que sejam elaborados projetos temáticos, envolvendo várias instituições, fomentando uma plataforma de relacionamentos. Instituições que trabalham isoladamente, não terão futuro neste mundo competitivo”, enfatizou

Carbonell destacou a presença do Secretário municipal de desenvolvimento econômico, social e de turismo de Campinas, vereador André Von Zuben, considerando a importância do poder público. “Muitas decisões necessitam de ações públicas, principalmente, relacionado à legislação, para isso, contamos com a participação e acompanhamento das discussões dessa plataforma de bioeconomia pelo Secretário da Agricultura de São Paulo, o vice-governador Márcio França do Conselho Deliberativo, o presidente do Conselho é o prefeito de Campinas, Jonas Donizete”.

Apesar da crise brasileira, para o presidente do Conselho, a ciência e tecnologia estão vivendo um tempo de oportunidades. As inovações estão cada vez mais no dia a dia e as instituições estão se organizando e investindo nos Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT´s) e, ainda, “as leis federal e estadual estão permitindo partilhar da propriedade intelectual e ambiente, sendo agora o momento da união e elaboração de projetos colaborativos e das plataformas de relacionamentos”.

Von Zuben enfatizou a importância do Agropolo que está fundamentado no modelo de Montpellier, criando a plataforma em Campinas, experiência muito interessante, que promove o desenvolvimento de todo um ecossistema na região sul da França, hoje revitalizada. “Estamos copiando esse novo exemplo aqui, fazendo de Campinas um modelo para o Brasil e para o mundo.”

“A prefeitura de Campinas busca atuar como articulador e facilitador na execução das demandas não só municipal como estadual, aproveitando a oportunidade e contribuindo com as linhas de pesquisa, por meio da legislação do Marco Legal, potencializando toda essa capacidade que Campinas já dispõe e com o Agropolo Campinas-Brasil vamos poder contribuir com esse conhecimento mundialmente, pois o Brasil é um celeiro importante de toda a bioeconomia, com competência tecnológica”, afirmou Von Zuben.

Ana Eugênia de Carvalho Campos, diretora substituta do IB, enfatizou a importância dos Institutos participarem dessas ações do Agropolo, possibilitando um relacionamento direto com a indústria. “Precisávamos justamente deste contato para fazer essa ponte, facilitando aos pesquisadores, com total potencial científico-tecnológico, enxergar a demanda da indústria, e a outra ponta conhecer a “expertise” das instituições. Sabemos que a agricultura e a bioeconomia é o que vai fazer nosso país seguir adiante.”

Mauricio de Paulo Nogueira, sócio-diretor da Agroconsult e representante do Grupo de Trabalho em Pecuária Sustentável (GTPS), destacou a atuação do Grupo como Fórum permanente de discussões na área agropecuária. “Uma de nossas intenções é colocar o assunto ciência no centro das discussões, pois a pecuária sofre um impacto muito grande de dogmas, e a ciência que muitas vezes têm a resposta não é colocada no centro das decisões mais importantes. Acreditamos que a única maneira é trabalhar dentro de um fórum que reúne todos os players, trabalhando junto e consciente – ensino, pesquisa e empresas”, salientou.

A diretora do IZ, Renata Branco Arnandes, iniciou os trabalhos, apresentando o que seria discutido durante os dois dias do workshop, coordenado pelo IZ e IB. “Nós estamos propondo o desenvolvimento de projetos de cooperação técnica, pensando em cadeia produtiva no curto, médio e longo prazo, propondo soluções, identificação de problemas, e ações concretas para 2050”, afirmou.

“Esta plataforma do Agropolo, fundamentada no conceito de inovação colaborativa, nos dá essa oportunidade de trabalho, para o desenvolvimento de projetos de cooperação técnica nas áreas de bioeconomia, ligando pesquisa, desenvolvimento e inovações tecnológicas”, pontuou Renata.

Segundo Renata, o governo têm dado subsídios por meio das políticas públicas, fazendo uso compartilhado de área, de projetos junto com a iniciativa privada. “Acabamos de voltar de duas missões técnicas, na Holanda e outra na França e Bélgica, e vivemos que 50% dos projetos daqueles países são feitos junto com a iniciativa privada, e ela detecta quais são os problemas da cadeia.”

“Para atingirmos nossos objetivos, tornando uma realidade no Brasil, estamos propondo ações de pesquisa nas áreas de bioeconomia, por meio de atividades multidisciplinares e formando unidades mistas de pesquisa”, sublinhou a diretora do IZ.

Ela ainda ressaltou que será um suporte para as ações de inovação das empresas privadas focadas nas áreas de bioeconomia, com capacitação de recursos humanos e a participação dos parceiros nacionais e internacionais. “Tudo isso no Brasil é novidade, mas no exterior a bioeconomia já é trabalhada há muito tempo para o desenvolvimento e difusão de tecnologia para todo o país.”

O workshop de pecuária de baixo carbono pretende ajudar o Brasil com o conhecimento da cadeia científica, das empresas inovadoras, a conseguir reduzir as emissões de metano, eficiência da produção e quais são as práticas de manejo que serão identificadas com impacto direto na emissão dos gases de efeito estufa.

A princípio, são cinco áreas de trabalho, começando dentro da porteira – sistemas integrados de produção, nutrição e alimentação animal, genética, transferência de tecnologia e sanidade. “As três grandes metas serão criar novos produtos com alto valor agregado, diminuir as emissões de gases de efeito estufa e aumentar a mão de obra”, enfatizou Renata.

O 9º Workshop, coordenados pelos Institutos de Pesquisa da Secretaria de Agricultura - IZ e IB, é parte do Projeto de Políticas Públicas em Bioeconomia (PPPBio), conduzido pelo Agropolo e apoiado pela Fapesp. Por meio de uma série de workshops, tem por objetivo produzir um “roadmap” das pesquisas necessárias para o desenvolvimento de um ecossistema de classe mundial em Bioeconomia, produzindo riqueza para a região e para o país.

Para mostrar um panorama atual dos temas e discutir “gargalos” a serem superados para se obter uma pecuária de baixo carbono – balanço negativo de emissões de gases do efeito estufa – a curto (2017 a 2025), médio (2025 a 2035) e longo (2035 a 2050) prazos, foram convidados personalidades do agronegócio, empresários, representantes de classe e pesquisadores.

A formação do “roadmap”, segundo o secretário da Agricultura, Arnaldo Jardim, vem ao encontro das estratégias estabelecidas pelo governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, para transferência de tecnologia e conhecimento. “Com as parcerias público-privada, fundamentadas na plataforma Agropolo, que irá dinamizar o desenvolvimento dos elos da cadeia produtiva”, afirmou Jardim.

Panorama

No primeiro dia, foram abordados o Panorama da Pecuária no Brasil e Painel da Emissão de gases de efeito estufa (GEE) na Pecuária com Maurício de Palma Nogueira, da Agroconsult Consultoria e Projetos. O painel sobre Emissão de GEE na Pecuária foi explanado pelo pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste Alexandre Berndt. O painel Sistemas Integrados de Produção Animal foi ministrado pela pesquisadora Patrícia Perondi Anchão Oliveira, da Embrapa Pecuária Sudeste. Os debatedores foram Elder Bruno, da INT/Agro e Paulo César de Faccio Carvalho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Para Paulo César o assunto é de extrema relevância como estratégia para a pecuária, principalmente, diante de uma conjectura muito rara como sistema de produção de alimentos, pois consegue ser intensiva, e além de produzir alimentos, produzir serviços ecossistêmicos. “Prove uma série de serviços ambientais, como nenhum outro sistema de produção consegue, sendo reconhecido internacionalmente como um sistema para alimentação futura, evitando danos à natureza, sendo competitivo na produção de alimentos e cumprindo as metas de mitigação ambiental em condição global.”

Nutrição e genética

No segundo dia, a sessão foi aberta com o tema Nutrição e Alimentação Animal, por Paulo Henrique Mazza Rodrigues, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA/Usp), e contou com os debatedores Alexandre Berndt, Luis Fernando Tamassia da DSM Produtos Nutricionais Brasil. No painel Melhoramento Genético e Genômica ministrou a palestra o pesquisador Yuri Regis Montanholi, da Universidade Dalhousie do Canadá, com os debatedores Cesar Franzon, da CRV Lagoa e Maria Eugênia Zertotti Mercadante, do IZ.

Para Tamassia, a nutrição e a pesquisa com foco em resolver a emissão de metano foi muito relevante e complementar ao tema, considerando um caminho para o sucesso. “As abordagens foram muito esclarecedoras, e colocar na mesa de discussão setores público e privado, para alinhar uma trajetória a ser seguida, colaborando na questão ambiental é primordial para alcançar o sucesso.”

A iniciativa do workshop, segundo César Frazon foi excelente e  incentivou o trabalho e destacou que foco deva ser cada vez mais em seleção genética, ao alinhar ao principal objetivo do evento – a diminuição de GEE. “Teremos que selecionar animais, justamente para este fim, mas também é importante destacar que já sabemos que animais mais produtivos e mais precoces vão ser abatidos mais cedo, e com a diminuição do tempo do animal no ambiente, consequentemente, reduziremos os gases de efeito estufa, conseguindo a pecuária sustentável e eficiente.”

Sanidade

O painel Sanidade Animal, apresentado por Sebastião Faria Junior, gerente de educação corporativa da MSD Saúde Animal, contou com os debatedores Ariovaldo Zani, do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) e Gustavo Julio de Lima, da Embrapa Aves e Suínos.

Sebastião falou de saúde animal para a sustentabilidade, como tecnologias de sanidade, e destacou o conceito de “saúde única”, que tem que ser levado para dentro da fazenda, em um programa de manejo sanitário que inclua um programa para controle de doenças, saúde ambiental e saúde humana. “Tem fazenda que quer melhorar o programa de saúde animal, mas o colaborador da fazenda e sua família, por exemplo, trabalham em condições inadequadas.”

Um fator interessante está nos atributos intangíveis do alimento, que necessitam de certificação para garantir ao consumidor todo o processo de produção. Há 50 anos, a sociedade não estava preocupada com o bem-estar animal e as questões ambientais. “Hoje o mercado reflete os valores da sociedade que se tornam atributos valorizados – senso indutor de melhores práticas sobre conceitos de saúde única”, refletiu Sebastião.

Durante as décadas de 70 e 80, a indústria era o grande vilão ambiental, por causa da poluição atmosférica. “Não me lembro de ninguém falar para parar o processo de industrialização dos produtos, mas o que se criou foram tecnologias de filtros de ar”, enfatizou Sebastião.

“Hoje há correntes contra o consumo de carne, mas temos tecnologias, como as que estão sendo discutidas no evento, que devem ser difundidas para desmistificar essa história lá fora. Precisamos contar isso para o consumidor que é bombardeado por informações distorcidas sobre o bem-estar animal, o desmatamento e pegadas ambientais”, reforçou o palestrante.

“O uso de tecnologias tem a responsabilidade de aumentar a produtividade com menor impacto ambiental, para se conseguir alimentar a população com eficiência” , afirmou Sebastião.

O encontro, para Sebastião, já levanta possibilidades de parcerias e colaboração, criando roteiros de ação a partir do painel, para promover a sanidade pecuária no estado de São Paulo, mudando a mentalidade de “gestão da sanidade”. “Essa plataforma financiada pela Fapesp é auspiciosa e, certamente, vai direcionar financiamentos de pesquisas, aproximando o setor privado e a extensão rural.”

“Já para chegar ao consumidor o desafio está na comunicação pulverizada, mas para isso será necessário ter boas histórias para desmistificar o consumo da proteína animal, e o setor tem que sair da defensiva e do discurso corporativista, trazendo razão para os debates”, completou Faria.

O pesquisador da Embrapa, Gustavo Julio, frizou que um dos pilares da sustentabilidade é o ser humano – seja consumidor ou produtor. “Assim, toda e qualquer medida que valorize o aumento da produtividade vai gerar renda e riqueza à população, por isso a sociedade deverá estar muito bem informada sobre o que estão consumindo.”

Transferência

A transferência de tecnologia vem sofrendo uma grande transformação e, segundo Gustavo, o produtor necessitam de assistência e “sou muito favorável a atuação da iniciativa privada para a ação de difusão de tecnologia ao produtor, que tem retorno garantido, pois o produtor passa de menos favorecido para produtor empresário”. “Ao medir as tecnologias em termos econômicos, transforma uma ameaça em oportunidade, agregando valor a cadeia produtiva”, afirmou.

A última sessão sobre Transferência de Tecnologia foi explanada por André Novo, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, juntamente com os debatedores Paul Vriesekoop da CRV Lagoa e Antony Hilgrove Monti Sewell, da Boviplan Consultoria.

O pesquisador André Novo, falou sobre o Programa Balde Cheio da Embrapa, que promove o desenvolvimento sustentável da pecuária leiteira em propriedades familiares, via transferência de tecnologia, atendendo a demanda de extensionistas de entidades públicas e privadas e de produtores de leite de todo o Brasil.

André destacou a introdução gradual de tecnologia, em um formato que promova a agricultura sustentável. “Para conversar com essa cadeia produtiva, tem que se pensar em saltos tecnológicos, um dos elementos chaves do Balde Cheio, pois para o produtor desta cadeia, o importante é o rebanho produzindo o leite para pagar as contas.”

Segundo o pesquisador, a difusão de tecnologia tem a abordagem no modelo em rede, envolvendo parcerias pública e privada, entre diferentes elos da cadeia produtiva, de forma sustentável e dinâmica. “É preciso reconhecer que estamos em outro contexto – o acesso à informação é imenso, e não se consegue mais pensar em um modelo linear de produção científica, transferência de tecnologia e mudança na vida das pessoas”, destacou.

Com a troca de informações, em uma produção de conhecimento em parceria, André explicou que ocorrerá à integração da pesquisa com o mercado, e será possível promover a relação institucional com a sociedade. “A prospecção de demandas aparece naturalmente quando se trabalha perto do setor produtivo. Outro fato importante está na prática continuada, ocorrendo um aprendizado mútuo de transferência do conhecimento.”

O evento foi finalizado com a dinâmica de discussão dos temas do Workshop, com apresentação de oportunidades, desafios, e consolidação do “Roadmap”, coordenado por Ricardo Baldassin, gerente de projetos do Agropolo.

Agropolo Campinas-Brasil

O Agropolo tem por objetivo desenvolver projetos de cooperação técnica nas áreas de agricultura, alimentação, biodiversidade, bioenergia, química verde e desenvolvimento sustentável.

Participam do Agropolo Campinas-Brasil, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do IAC, IB, IZ e Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Prefeitura de Campinas, Unicamp, Techno Park Campinas – Associtech e Associação Agropolis International.

Informações, acesse www.agropolocampinasbrasil.org/9wspppbio ou (19) 2137-0615. O IZ fica na rua Heitor Penteado, 56, Centro, Nova Odessa (SP), fone (19) 3466-0901.

Por Lisley Silvério (MTb. 26.194)
Informações

Assessora de Imprensa
Instituto de Zootecnia
Secretaria de Agricultura e Abastecimento SP
Fone: (19) 3476-0841
E-mail: lisley@iz.sp.gov.br
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