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14/07/2008

IZ responde: dez perguntas e respostas sobre a inseminação em tempo fixo (07/2008)

O pesquisador científico do IZ, Dr. Rafael Herrera Alvarez, do Centro de Genética e Reprodução Animal, do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), responde as perguntas mais comuns dos produtores interessados sobre a questão da Inseminação em tempo fixo.

 

Dúvidas mais freqüentes:

 

1.       No que consiste a Inseminação Artificial em Tempo fixo e como ela se diferencia dos outros tipos de Inseminação Artificial?
 

A Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) é o processo de inseminar uma fêmea com data marcada, no período da ovulação (induzida por métodos hormonais) independentemente da manifestação do cio, enquanto que na IA convencional os animais são inseminados após a observação do cio (natural ou induzido).

 

 

2.      Quais os cuidados que o pecuarista deve ter antes de fazer esse tipo de inseminação?
 

Possuir uma estrutura mínima para contenção dos animais e utilizar animais submetidos a um programa de manejo sanitário e alimentar adequado.

 

3.       O que pode comprometer esse tipo de Inseminação?
 

Uso de animais com escore corporal inadequado (muito magras ou obesas) decorrente de uma alimentação inadequada, desrespeitar as instruções de aplicação dos hormônios e o momento de realizar a IA. A qualidade do sêmen e a experiência e/ou habilidade do inseminador também são fatores determinantes do sucesso da IATF.

 

4.       Desde quando essa técnica vem sendo usada no Brasil?
 

Há cerca de 10 anos. Entretanto, seu uso foi intensificado nos últimos 5 anos. Estima-se que atualmente são realizadas aproximadamente 1,5 milhões de IATF por ano no Brasil.

 

5.       Há algum efeito colateral no animal inseminado?
 

Não existe evidência científica sobre qualquer efeito colateral que os tratamentos hormonais utilizados na IATF possam afetar a saúde do animal ou do consumidor. Os compostos à base de estrógenos (presentes em alguns protocolos de IATF) foram excluídos dos tratamentos de sincronização na Europa e nos EUA por uma questão de marketing mercadológico (possível rejeição do consumidor aos produtos associados com esse hormônio).

 

6.       Por que há tanta dificuldade na detecção do cio bovino?
 

A detecção do cio não é difícil (é laboriosa). Acontece que a duração das manifestações do cio é relativamente curta (<10 horas em raças zebuínas) e acontece no período noturno em mais de 50% dos animais. Dessa forma, mesmo com uma vigilância rigorosa dos animais durante o dia, uma porcentagem considerável dos animais não será observada em cio. Atualmente, existem vários procedimentos (mais ou menos complexos) que auxiliam na identificação de animais durante as 24 horas. O emprego desses dispositivos deve ser analisado em função do custo/beneficio para cada situação.

 

7.       Quais são as vantagens para o pecuarista que adota a IATF?
 

A IA é de longe a tecnologia mais empregada no mundo para o avanço genético dos rebanhos. A IA possibilitou a seleção dos melhores reprodutores para o aumento das características produtivas (carne e leite) graças à difusão do sêmen desses animais em diferentes rebanhos. Por falar no aspecto produtivo, tomemos como exemplo o caso de produção de leite nos EUA onde aproximadamente 60% do rebanho leiteiro é inseminado: nos anos 50 a produção média por vaca era de aproximadamente 2000 litros de leite. Vinte anos após essa produção quase triplicou. Atualmente, a produção média por vaca, por lactação, gira em torno de 8.500 litros (no Brasil a média nacional não ultrapassa 1500 litros, embora existam fazendas que atingem a produção média dos EUA).

 

 

8.       A IATF oferece outras vantagens além das de ordem genética?
 

Além dos ganhos genéticos decorrentes do uso da IA, a sincronização do cio pode proporcionar um retorno econômico quando incorporada em programas específicos de manejo reprodutivo. Por exemplo, a IATF possibilita concentrar os nascimentos no início da estação de parição. Isso resulta em um maior peso dos bezerros à desmama, um melhor aproveitamento das novilhas de reposição e uma maior fertilidade das vacas na seguinte estação de monta. O maior período de descanso pós-parto é traduzido por uma melhor eficiência reprodutiva das vacas e, particularmente, das novilhas de primeiro parto.

 

9.       Que muda na fazenda com a implantação dessa técnica?
 

A implantação de um programa de IA numa fazenda exige um controle individual dos animais, bem como um análise rigoroso dos fatores envolvidos no sistema de produção como um todo. Essa análise permite detectar e adotar as medidas necessárias para corrigir eventuais erros de manejo. Isso torna o sistema de produção mais empresarial.

 

10. No Brasil apenas 6 a 7% dos pecuaristas utilizam a técnica de IA, porque ela é tão pouco difundida?
 
Existem vários fatores que explicam o relativo baixo uso da IA. O principal é provavelmente a falta de informação de uma grande parcela dos produtores sobre os potenciais benefícios da IA. Os produtores têm a percepção (errônea) que o uso da IA é caro e complicado. Ainda, o trabalho adicional para observar o cio é um fator que o produtor ainda não incorporou à rotina de manejo do gado (com a IATF esse inconveniente pode ser eliminado).
 
 

Pesquisador Científico Dr. Rafael Herrera Alvarez

Instituto de Zootecnia (IZ-APTA),

Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA),

julho/2008

Mais informações: e-mail zootecnia@iz.sp.gov.br

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