12/03/2026
Guardando a diversidade da vida: como os bancos de germoplasma impulsionam a agricultura paulista

Legenda:
Amostras de plantas forrageiras conservadas no Banco Ativo de Germoplasma do
Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), em Nova Odessa. A coleção preserva recursos
genéticos utilizados na alimentação de bovinos, ovinos e caprinos e serve de
base para pesquisas em zootecnia.
Institutos da Secretaria de Agricultura mantém diversos bancos
genéticos, incluindo o maior banco de café do Brasil e a maior coleção de
citros do mundo
Imagine um lugar onde
sementes raras, plantas antigas, microrganismos e até linhagens de animais são
preservados como um verdadeiro patrimônio da vida. Esses espaços funcionam como
guardiões da diversidade genética que sustenta a agricultura. São os bancos de
germoplasma, estruturas que armazenam e protegem o material genético de
diferentes espécies para que ele não se perca com o tempo.
É a partir desse “estoque de
biodiversidade” que pesquisadores conseguem desenvolver novas variedades de
plantas mais produtivas, resistentes a pragas e adaptadas às mudanças do clima.
Guardar esse material hoje significa garantir as soluções da agricultura de
amanhã.
É justamente nesse esforço
de preservar hoje para inovar amanhã que entram os bancos de germoplasma
mantidos pelos institutos de pesquisa ligados à Secretaria de Agricultura e
Abastecimento (SAA). São estruturas fundamentais para garantir o melhoramento
genético e o desenvolvimento de novas cultivares, fortalecendo a capacidade da
agricultura paulista de responder a desafios como pragas, doenças e mudanças
climáticas.
O acervo do Instituto
Agronômico (IAC-APTA) possui 46 espécies agrícolas com aproximadamente 12.000
amostras, incluindo as principais culturas agrícolas do estado de São Paulo,
como café, cana, citros, seringueira, feijão, amendoim, mandioca, uva, batata,
cacau, entre outras. Entre as de maior destaque do instituto estão o Banco de
Germoplasma (BAG) de Café, que é o maior do Brasil com 988 acessos (amostras),
e o BAG-Citros, que possui a maior coleção de citros do mundo com 1735 tipos.
No âmbito da produção
animal, o Instituto de Pesca (IP-APTA) mantém desde 2018 o primeiro banco de
germoplasma de tilápia do Brasil, com exemplares de diversas linhagens de
tilápia-do-nilo. A estrutura funciona como um “arquivo vivo” de material
genético, reunindo e preservando diferentes linhagens da espécie para garantir
a diversidade genética, apoiar pesquisas científicas e subsidiar programas de
melhoramento na aquicultura. Hoje, a espécie de peixe é a mais consumida no
país.
Além do banco de germoplasma
de tilápia, o IP também possui outros bancos que ajudam no desenvolvimento da
aquicultura no estado, como bancos de macroalgas e microalgas marinhas,
bactérias e cianobactérias, além de coleções de peixe-zebra e truta arco-íris.
Já o Instituto de Zootecnia
(IZ-APTA) possui em sua sede em Nova Odessa o Banco Ativo de Germoplasma de
Plantas Forrageiras (IZ–FOR). Forrageiras são plantas utilizadas na alimentação
de animais de produção, como bovinos, ovinos e caprinos, principalmente na
forma de pastagens ou forragem conservada. A coleção reúne 286 amostras de
gramíneas e 1.585 de leguminosas forrageiras, tendo sido constituída desde a
década de 1970 por meio de intercâmbios e coletas, com o objetivo de conservar
recursos genéticos e disponibilizar material biológico e informações para
pesquisa em zootecnia.
Desde 2022, o IZ também
desenvolve com a Associação Nacional dos Produtores de Sementes Forrageiras
(ANPROSEM) um projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação para validar,
licenciar e multiplicar sementes de novas cultivares forrageiras, com foco em
sistemas de produção animal mais sustentáveis e menos dependentes de insumos
externos. Os exemplares do banco integram um projeto estratégico aprovado pela
FAPESP e coordenado pelo IAC, reforçando a importância da conservação e do uso
sustentável dos recursos genéticos.
Já o Instituto Biológico
(IB-APTA) possui uma coleção ativa de fungos do gênero Trichoderma. São 124 cepas, sendo duas licenciadas para empresas de controle
biológico. O Instituto possui ainda bancos de outros fungos e nematoides
entomopatogênicos e de bactérias que controlam doenças em plantas e pragas.
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